
Entre o sagrado e o profano O sagrado, santo e insano Amor, com o qual te amo Te coloca em um altar Mas meu coração profano Obcecado, obsceno, mundano Busca ainda se aventurar Entre o céu e o inferno Da primavera ao inverno Busco recomeçar Assassino pensamentos castos Diante de um terreno vasto Derrubo teu pedestal Venha teu amor me envolver Torne-me tua, me dê prazer Livre-me de todo o mal
Claudia Banegas


Obra-prima Como tela vazia, sou branca tessitura Amplo espaço que clama Por tons, nuances, textura Nas tuas mãos de artista Onde mora viva chama Geras sombra, luz, ternura Me transformas em aquarela Pintura intimista Teu pincel me pinta bela Teu toque me ilumina Ganho cor, ganho vida E me torno obra-prima
Claudia Banegas


Lamento Cada dia que morro por dentro É mais um lamento abafado É mais uma pedra no ventre É mais um sorriso forjado Murcha meu corpo alquebrado Ninguém desconfia de nada Murcha minha alma cansada Ninguém desconfia de nada Persiste um fio de esperança Tênue, frágil, instável Não tenho mais confiança Como ainda ser razoável? Não sei, ninguém sabe, não penso Meu conflito me causa avarias Pra cada instante que venço Sou derrotada por dias Vencida, me esgoto, me deito Pesadelos diuturnos Reviro-me no meu leito Fecho os olhos mas não durmo O tempo é como o vento Não se apieda de de mim, nem de ninguém Mas quem precisa do tempo? Eu, e você também Tempo para um lamento Tempo para resistir Tudo é questão de tempo Eu sonho em poder dormir
Claudia Banegas


Reflexos Eu olho no espelho Mas ele não olha pra mim O que me olha é um desejo De me ver naquilo que vejo Não procuro rugas, marcas de tanto viver Olho em meus olhos tentando me reconhecer E eles me olham tentando entender Por que nenhum de nós consegue se ver
Claudia Banegas

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